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Artigo

Silêncio (nada) Liberal
Por Lúcio Flávio Pinto em 17/11/2005

Fonte: Jornal Pessoal

Silêncio (nada) Liberal

Pela segunda vez um grande jornalista brasileiro conseguiu romper a muralha de silêncio que o grupo Liberal impôs em seus veículos a tudo que me diz respeito.  Primeiro foi Élio Gaspari, que noticiou em sua coluna, reproduzida em O Liberal, a agressão de Ronaldo Maiorana contra mim.  Na semana passada foi a vez de Miriam Leitão, em sua coluna "Panorama Econômico", transmitida pela Agência Globo para jornais de todo país, incluindo a folha da família Maiorana.

Analisando a relação do governo Lula com a imprensa em particular, num contexto mais amplo do exercício da liberdade de imprensa, Miriam Leitão observou:

"No Brasil, há muitas ameaças, além das diversas insinuações autoritárias do governo, à liberdade de imprensa regional, por parte dos grupos de interesse e econômicos locais.  O repórter paraense Lúcio Flávio Pinto foi um dos escolhidos este ano para o prêmio International Press Freedom do Committee to Protect Journalistas em Nova York, no próximo dia 22.  Lúcio Flávio não pode viajar para receber porque está respondendo a 18 processos.

A maioria movida pela família Maiorana - ele foi vítima até de agressão física por parte de Ronaldo Maiorana - e outro processo de Cecílio Rego de Almeida, que alega ser dono de uma extensa área na Terra do Meio.  O Brasil vai fazer um papelão no Waldorf Astoria, diante da imprensa internacional, se Lúcio Flávio for impedido de ir".

A situação é delicada.  Há 13 anos, desde que Rosângela Maiorana Kzan, diretora administrativa das Organizações Romulo Maiorana, propôs cinco ações sucessivas contra mim (quatro com base na Lei de Imprensa do regime militar e outra para me impedir de voltar a me referir a ela neste jornal), meu nome integra o índex do grupo Liberal.  Nada pode ser dito a meu respeito.  A agressão de Ronaldo teve como pretexto a defesa da memória do pai, que eu teria atingido com artigo publicado no JP.  Mesmo assim, nenhuma linha para defender essa memória e contraditar o alegado ofensor.  Silêncio absoluto.  Sepulcral.

O problema é que dois dos mais famosos jornalistas brasileiros resolveram se manifestar a respeito da perseguição do grupo Liberal contra mim.  Ambos assinam duas das colunas mais difundidas na imprensa nacional, uma com ênfase na política, a de Gaspari, e a outra na economia, a de Miriam.  Por acaso, as duas são distribuídas pela agência de notícias das Organizações Roberto Marinho.

Há norma contratual proibindo qualquer corte nas colunas.  E há uma orientação não escrita de que a supressão ou adulteração provocará a reação dos donos da Rede Globo.  Por isso, embora atingidos diretamente pelas críticas de Gaspari e Miriam, os Maiorana tiveram que engolir os sapos a seco.  E em silêncio.  O que não faz bem ao seu organismo - nem, também, à democracia e à liberdade de imprensa, se é que suas investidas têm alguma coisa a ver com o que deveria ser a matéria prima da empresa, os fatos, e o que deles deriva: a verdade.


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