Gleba Divisa: Pontes do Cristalino serão destruídas (MT) - 28/08/2003
Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
Link: www.diariodecuiaba.com.br
Todas as pontes erguidas sobre o rio Nhandu, por onde escoa boa parte da madeira retirada ilegalmente do Parque Estadual do Cristalino (entre Alta Floresta e Novo Mundo, extremo norte do Estado), serão destruídas por ordem da Justiça Federal. A decisão é do juiz Marcos Alves Tavares, substituto da 1ª Vara, que concedeu medidas cautelares propostas pelo Ministério Público Federal como forma de impedir a degradação de uma das mais importantes reservas da biodiversidade na Amazônia. “A urgência da medida não pode ser questionada, pois a velocidade com que se depreda a Gleba Cristalino ou Divisa é assustadora”, diz o juiz, na decisão. “Mais um ano e certamente não haverá mais cobertura vegetal”. Além das pontes – cuja explosão ficará a cargo do Exército – a decisão também diz respeito às balsas que, segundo constatou o MPF, usam o leito do rio Teles Pires como atalho para o transporte de madeira irregular. Os proprietários das balsas serão advertidos a não transportar caminhões madeireiros em hipótese alguma, sob pena de multa de R$ 3 mil por embarcação, apreensão de todo o equipamento e o indiciamento em todos os crimes ambientais que tenham ajudado a concretizar. “A população local, incentivada por madeireiros e agentes públicos da região, está promovendo um desenfreado saque de madeiras da gleba, tendo os invasores interesse apenas secundário pela terra”, concluiu o juiz, diante do relatório e das fotografias encaminhadas pelo MPF. Há duas semanas, a reportagem antecipou a iminência das medidas propostas em conjunto pelos procuradores Águeda Aparecida Silva, Osvaldo Sowek e Daniel Salgado. “É evidente que há um processo de extração e escoamento da madeira ilegal em andamento”, disse Salgado, à época. “E que, até mesmo por falta de efetivo, o Ibama não vem conseguindo impedir que isto ocorra”. Desde dezembro de 2002, o Ibama é o responsável por assegurar a manutenção da área do parque. Isso ocorreu em função do seqüestro determinado pela Justiça Federal de toda a chamada Gleba Divisa - que, com 423 mil hectares, abriga, além da unidade de conservação, grandes fazendas de gado e assentamentos estaduais. Em ação discriminatória que se arrasta desde 1976, o INCRA tenta provar que a área, localizada na faixa de 100 quilômetros ao largo da BR-163, seria propriedade da União. E que o Governo do Estado teria se valido de uma certidão falsa para arrecadar as mesmas terras. Enquanto a situação não é esclarecida, argumenta o juiz, é fundamental que não seja alterada por terceiros. “Não há como assegurar a utilidade do provimento final que não seja através das medidas cautelares requeridas pelos representantes do Ministério Público Federal”. Projeto de lei permite que a polícia use armas apreendidas Um projeto de lei apresentado à Assembléia Legislativa irá permitir, caso aprovado, que policiais civis e militares tenham o direito de usar armas de fogo apreendidas e à disposição da Justiça. A informação é da assessoria de imprensa da AL. “A atividade do crime organizado está cada vez mais aparelhada. Com eles são apreendidas armas de fogo sofisticadas, de grande calibre, de longo alcance e de grande precisão. Esses equipamentos, na maioria das vezes, superam as armas que dispõe as policias civil e militar no combate a esses mesmos marginais”, diz o deputado Alencar Soares (PSDB), autor do projeto. O delegado titular da Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Cuiabá, Mauricio César Bencice, afirmou que a proposta é viável e pode contribuir para o aparelhamento das polícias. “A iniciativa é boa. A falta de equipamentos mais modernos coloca-nos muitas vezes em desigualdade com os bandidos. A transferência dessas armas para as policias aumentará nosso poder de ação”, disse. Para se ter idéia da quantidade de armas apreendidas, somente em um final de semana a Policia Militar tirou de circulação sete armas de fogo. A apreensão ocorreu durante a “Operação Fecha Quartel”. Pela proposta, segundo Alencar, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública ficará responsável pela formação de uma equipe técnica constituída por peritos, para periodicamente, classificar e reparar as armas apreendidas. Mas, segundo o texto do projeto, a transferência das armas de fogo em Poder do Judiciário para a Secretaria de Justiça e Segurança vai ser feita por processo específico realizado por decisão do próprio magistrado. Rodrigo Vargas
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