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Gerente do Ibama em Mato Grosso atribui índice à abertura de novas frentes de plantio de soja - 05/08/2003

Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
Link: www.diariodecuiaba.com.br


Julho teve 102% a mais de focos de calor que no mesmo período de 2002

O número de focos de calor em julho superou em 102% o verificado no mesmo período em 2002. Foram 11,6 mil registros, dos quais 4,1 mil entre os dias 15 e 31 - quando já estava em vigor a portaria conjunta (Ibama/Fema) que suspendeu as queimadas no Estado. No ano passado, ao longo de todo o mês, foram 5745 focos.

O resultado do mês é superior a todo o registrado ao longo do mesmo período em 2000, 2001 e 2002 - nos quais também ocorreu a suspensão temporária às queimadas. E também é maior do que a soma de todos os focos detectados entre janeiro e junho deste ano: 11 mil.

Há dois meses, o Diário publicou reportagem alertando para os riscos de uma severa temporada de queima em 2003. A possibilidade foi levantada por uma fonte nos bastidores da estrutura oficial de prevenção ao fogo, que apontou omissões e falhas de planejamento na campanha deste ano.

"Estão todos parados, vendendo uma miragem e torcendo para São Pedro", denunciou então a fonte que, por temer represálias, pediu anonimato. "O fogo não espera transições. As instituições tinham de estar em campo antes da derrubada. Agora, já está tudo no chão, aguardando apenas o momento propício para se acender o fósforo".

O momento parece ter chegado. E o gerente-executivo do Ibama em Cuiabá, Hugo Scheuer Werle, demonstra não ter dúvidas disso. Ele, porém, discorda que a explosão do número de focos tenha relação direta com ações ou omissões dos novos governos.

Segundo ele, mesmo que o cronograma da campanha de combate não tivesse sido afetado pela transição nos níveis estadual e federal, ainda assim os resultados seriam desanimadores. "E o fato é que o interesse econômico se sobrepõe a qualquer tipo de campanha. Estes dados refletem a abertura de novas áreas para a produção de soja", justificou.

Como não foi registrado nenhum grande incêndio florestal no período, Werle acredita que o aumento do número de focos possa ser atribuído principalmente aos trabalhos de limpeza das áreas já desmatadas. "São restos de cultura e madeiras enleiradas, principalmente. Isso é parte de um processo que começou ainda em 2002, quando houve uma derrubada muito grande".

O fato de o plantio de soja ter chegado a municípios como Juína e Alta Floresta, na região da chamada Amazônia Legal, é apontado pelo gerente-executivo como exemplo deste avanço. "Estes são municípios quase no extremo-norte", apontou Werme. "Imagine o que vem acontecendo mais ao Sul".

Rodrigo Vargas


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