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Sem-terra denunciam a ação de pistoleiros (MT) - 09/07/2003

Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
Link: www.diariodecuiaba.com.br


Acampados na fazenda São Paulo há mais de um ano, eles temem conflito

Trabalhadores rurais sem-terra acampados na Fazenda São Paulo (km 76 da BR-174, que liga Cáceres a Rondônia) reforçaram a vigilância do local, afirmando que estão sendo ameaçados por pistoleiros a mando de fazendeiros. A fazenda foi ocupada em 22 de abril do ano passado por integrantes do MST. No acampamento, denominado Sílvio Rodrigues, há hoje mais de mil famílias.

A fazenda, de 4.503 hectares, fica no município de Mirassol D’Oeste e é do pecuarista Paulo Mendonça. Lideranças do acampamento afirmam que as ameaças começaram há cerca de 15 dias, depois que o MST ocupou a fazenda Itaguaíra, em Araputanga, de onde foram retirados pela Polícia Militar, em cumprimento a um mandado de reintegração de posse.

Segundo os sem-terra, o acampamento Sílvio Rodrigues começou a ser “rondado” por pistoleiros desde a desocupação da outra fazenda, após eles terem denunciado a prática de pistolagem. O MST acusa policiais militares da região de Araputanga de estarem a serviço de fazendeiros, que estariam também contratando pistoleiros para fazer a segurança das fazendas.

Há uma semana, segundo os acampados, homens desconhecidos e armados estão tentando entrar no acampamento. Um deles chegou a entrar pelos fundos da propriedade, onde ficam os banheiros. Ele foi visto pelos sem-terra, que deram o alarme com fogos de artifício. Um fazendeiro com propriedade em frente ao acampamento alertou os trabalhadores que um homem entrou correndo em sua fazenda, após a soltura dos fogos. Mizael Barreto, coordenador do MST, afirma que sofreu e vem sofrendo ameaças de morte por parte dos pistoleiros. A situação de tensão na região pode provocar uma tragédia, alertam.

O número de vigias nas entradas do local foi dobrado e os acampados, segundo eles próprios definem, estão em alerta máximo. Continuam aguardando a emissão de posse da propriedade por parte do Incra, alegando que a fazenda São Paulo é improdutiva e fica em terras da União. O próximo passo, segundo eles, é tentar a posse da terra por via judicial.

Clarice Navarro Diório





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