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Amazônia concentra 72% dos conflitos e MT soma 96 casos - 29/04/2009

Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
Link: www.diariodecuiaba.com.br


Renê Dióz

A Amazônia concentrou 72% dos assassinatos resultantes de conflitos agrários durante o ano de 2008, aponta estudo divulgado ontem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).  Além de destacar o aumento da violência no campo de 2007 para 2008, o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2008” identifica que o agronegócio em expansão está diretamente ligado à violência no campo.  Somados os dois anos, Mato Grosso registra 96 conflitos, com ligeira redução no comparativo.

“A relação é direta entre desmatamento e violência no campo.  Não há como separar as coisas”, diz o advogado José Batista Afonso, que atua no Pará pela CPT.  Ele diz que os conflitos, atualmente, se concentram nas áreas onde há expansão da monocultura e da pecuária.  Estados como Mato Grosso, Pará, Rondônia, Tocantins e Maranhão compartilham dessa característica, explica Afonso, que é ex-coordenador nacional da CPT.

De acordo com o relatório, por mais que o número de conflitos tenha diminuído de 1.538 em 2007 para 1.170 em 2008, o número de assassinatos decorrentes destas questões permaneceu o mesmo em todo o Brasil.  Daí a afirmação de que a violência aumentou no campo.

Mato Grosso registrou um assassinato em cada ano, enquanto 13 mortes foram computados no Pará somente em 2008 – o Estado é habitual concorrente de Mato Grosso nas listas de desmatamento e degradação ambiental.  Também foram registradas duas pessoas agredidas em Mato Grosso em 2008 contra 26 no ano anterior.  Já o número de conflitos caiu de 50 para 46.

José Batista Afonso explica que são duas as frentes de violência agrária no país.  Uma delas é responsável pela maioria dos conflitos e diz respeito ao avanço das fronteiras agropecuárias sobre terras que já abrigam populações tradicionais.  O relatório aponta que isso evidencia “o interesse do capital sobre os territórios ocupados”.

A segunda forma é um processo resultante da migração de famílias para as regiões de expansão agropecuária.  Não encontrando condições de moradia e emprego no local, estas pessoas se integram a movimentos de ocupação rural ou urbana.

Porém, movimentos como o dos Sem-Terra (MST), conforme defende Afonso, são “muito mais vítimas da violência que incentivadores dela”, sintetizando uma observação do relatório que constatou, em 2008, “uma nova onda de criminalização dos movimentos sociais do campo e de suas lideranças”.


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