Alan Garcia ignora questão ambiental ao pleitear construção de seis hidrelétricas na Amazônia Peruana - 29/04/2009
Local: Internacional - AC
Fonte: Terra Magazine
Link: http://terramagazine.terra.com.br
Altino Machado O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter conseguido tranqüilizar ao presidente Alan Garcia, do Peru, que tem se mostrado bastante ansioso em tentar convencer o governo brasileiro a viabilizar a instalação de seis hidrelétricas em território peruano. Lula considera a integração energética "crucial" para o desenvolvimento brasileiro. As hidrelétricas podem ser construídas pelas estatais Eletrobras e Eletroperu e podem merecer financiamentos do BNDES no valor de US$ 4 bilhões. Os ministros de Minas e Energia dos dois países assinaram em Rio Branco (AC) um memorando de entendimento para o apoio aos estudos de interconexão elétrica na fronteira Brasil-Peru. - No tratado nós certamente vamos fazer constar a quantidade de energia que cada país poderá usar, mas o mais importante é que, se tivermos linha de transmissão, um país poderá suprir o outro por ocasião da falta de energia. Não tenho dúvida nenhuma de que haverá o financiamento - afirmou Lula. Entusiasmado com a declaração de Lula, Alan García disse que a aliança da Eletrobras com a Eletroperu poderá resultar numa empresa binacional. Ele assinalou que a potência da Eletrobras, com a geração de 100 mil megawatts, é muito aquém da geração de 6 mil megawatts da Eletroperu. - Creio que isto é integração concreta e de grande futuro para os próximos 50 anos: a potência das estradas, da união nas telecomunicações e de maior investimento mútuo - disse o presidente peruano. A Cordilheira dos Andes oferece rios que correm em direção à região amazônica, mas o Peru reconhece que depende da ajuda do Brasil para gerar energia. As hidrelétricas que estão sendo negociadas pelos governos dos dois países serão instaladas numa região complexa. Trata-se de uma área considerada pelos cientistas como abrigo da maior biodiversidade do planeta, ainda habitada por tribos de índios isolados e onde nascem os rios que formam o Amazonas, o maior rio do mundo. Confrontados com essa questão pelo Blog da Amazônia, apenas o presidente Lula se dispôs a tomar uma posição. Alan García pareceu visivelmente constrangido ao ser instado a assumir algum compromisso em defesa do meio ambiente e das etnias indígenas, especialmente as que vivem em isolamento. Madeireiros peruanos com freqüência invadem o território brasileiro para a retirada de mogno de áreas indígenas. Quando Terra Magazine revelou ao mundo, em maio do ano passado, as fotos dos índios isolados, pintados e nus, atirando flechas contra o avião de um sertanista do governo, Alan Garcia chegou a declarar que se tratava de uma encenação montada por ambientalistas interessados em inviabilizar o desenvolvimento da Amazônia Peruana. Desde então, o governo peruano tem sido alvo de campanhas internacionais. Elas exigem sobretudo proteção para os índios isolados que fogem para o território brasileiro fustigados pela ação dos madeireiros peruanos. O presidente Lula foi mais habilidoso ao expor o que pensa: - Estes cidadãos [índios isolados] estando no Brasil são brasileiros, estando no Peru são peruanos. Nós precisamos cuidar deles com carinho, para que eles se mantenham vivendo na sua cultura de forma saudável . Nós não somos irresponsáveis a ponto de não sabermos as regras estabelecidas em nossas constituições. Nós sabemos que teremos que discutir a viabilidade ambiental junto com a viabilidade econômica. Tenho a convicção de que, se decidirmos fazer as hidrelétricas, será porque haverá segurança ambiental. Hoje não discutimos mais a Amazônia como querem que a gente discuta, isto é, transformando a Amazônia no santuário da humanidade, permitindo que as pessoas que vivem na Amazônia continuem pobres e miseráveis. Dilma O presidente Luis Inácio Lula da Silva discorda do assessor especial da presidência da República, Marco Aurélio Garcia, para quem a decisão da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de enfrentar publicamente a descoberta de um pequeno tumor (gânglio em sua axila esquerda), irá reforçar sua candidatura. - Eu, sinceramente, não posso imaginar que alguém sai fortalecido porque disse que teve um câncer. Eu só estou torcendo pela recuperação da Dilma e certamente ela não tem nada mais porque o câncer já foi retirado - disse Lula.
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