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Mais da metade das comunidades quilombolas no Pará não é titulada - 27/04/2009

Local: Brasília - DF
Fonte: Agência Brasil - EBC
Link: http://www.agenciabrasil.gov.br/


A falta de políticas públicas específicas é um dos motivos para a demora na regularização fundiária de territórios para os povos quilombolas, segundo a coordenadora de Proteção dos Direitos dos Povos Indígenas e Populações Tradicionais da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Pará, Iza Maria Castro dos Santos.

Em entrevista à Rádio Nacional, ela explicou que os recursos destinados pelo governo federal (R$ 9 milhões) para as populações tradicionais do estado (indígenas, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas) são insuficientes para a necessidade da região.

Das 401 comunidades quilombolas identificadas no Pará, apenas 118 são tituladas e possuem seu território delimitado pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa), responsável pela demarcação das terras.  Em 2008, dez comunidades receberam a titulação.  O processo dura de 6 meses a 1 ano.

Segundo a coordenadora, para evitar futuros problemas territoriais, o processo de titulação precisa ser feito adequadamente.  “Apesar de ser um processo simples e especificamente estadual é preciso que haja uma certa qualidade no serviço para evitar problemas no futuro como demarcar territórios que estão em cruzada.  Os quilombolas não vão poder utilizar e depois gera uma série de conflitos.”

Uma das medidas para acelerar a titulação de terras quilombolas é o Plano de Ordenamento Territorial do Pará.  A coordenadora afirma que, no Pará, há ainda grande reivindicação de terra por parte de novos colonos que chegam à região.  “Temos populações tradicionais que estão ocupando terras devolutas.  Estamos trabalhando com o ordenamento territorial, para identificar todas essas terras no estado, verificar qual é a sua legalidade, para atender todas as necessidades das populações que vivem no território paraense.”

Ela destacou ainda a importância da participação da comunidade para o reconhecimento das terras.  “O primeiro passo é a comunidade informar ao orgão governamental a existência de terras quilombolas.  É elaborado um laudo antropológico, depois é feito um ato de identificação no local certificando que a comunidade tem origem quilombola.  E aí uma das conclusões é a recomendação da delimitação desse território”, explica.


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