Crise do setor frigorífico não irá reduzir produção de carne no Brasil - 24/04/2009
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br
Fabíola Munhoz O fechamento de frigoríficos em decorrência da crise financeira internacional não irá necessariamente diminuir a produção de carne no Brasil. Essa foi a conclusão do diretor-adjunto da organização Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, Mario Menezes, após conversar com representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA, o Banco do Brasil), do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GVAgro) e do Banco do Brasil, sobre o atual abalo da cadeira produtiva da carne bovina nacional. De acordo com o ambientalista, é uma tendência que os frigoríficos sobreviventes à crise financeira invistam no aumento de sua produção, de modo a tentar substituir a oferta de carne antes garantida por outras empresas do ramo que encerraram suas atividades. Ele também explica que, em conseqüência da redução da oferta de crédito e da diminuição do consumo internacional de carne decorrentes da crise, os frigoríficos tendem a manter seu fluxo de caixa aumentando a oferta de carne no mercado interno. Exemplo disso foi a nota divulgada pela empresa JBS Friboi, na quarta-feira passada, informando que iria contratar 685 funcionários para ampliar a produção em suas unidades localizadas em Barra dos Garças, no estado do Mato Grosso. No anúncio, a empresa diz que a capacidade de abate da unidade deverá passar de 1,5 mil a 2,5 mil cabeças ao dia, como forma de suprir o mercado interno e o consumo por Europa, África, Oriente Médio, Rússia e Hong Kong. Com as novas contratações, o número de empregados do Friboi de Barra dos Garças, unidade existente desde 1997, passará dos atuais 1.086 a 1.771 colaboradores. Esse é o terceiro anúncio de admissões feito pela Friboi desde o agravamento da crise no setor de frigoríficos, sendo que já foram contratados 1.759 novos funcionários pela frigorífica nos últimos dois meses. Também durante a crise, a JBS, dona do Friboi, continuou comprando frigoríficos fora do Brasil (Estados Unidos), enquanto seu concorrente, o frigorífico Independência, passa por dificuldades para manter suas atividades. Outra empresa do ramo, o frigorífico Minerva, inaugurou uma nova unidade na cidade de Barretos (SP), em plena vigência dos efeitos da crise. Casos como esse demonstram que empresas de um mesmo setor estão reagindo de formas diferentes à crise financeira mundial. Sobre isso, o diretor-adjunto da ONG Amigos da Terra-Amazônia Brasileira diz que a atual crise do setor frigorífico não é sistêmica, mas pontual e causada, muitas vezes, por problema de má gestão, não afetando de forma muito significativa a produção de carne no Brasil. "O pecuarista que vendia para o Independência, por exemplo, vai ter que vender seu boi para outro frigorífico, que continua operando e bem financeiramente", informa o diretor-adjunto. Para Mario, é preciso lembrar que os reclames gerais por socorro do governo às empresas do segmento em dificuldade podem estar ligados à oportunidade de se aproveitarem medidas governamentais que possam beneficiar também os frigoríficos não atingidos pela crise. "O caso do Independência pode ter sido superestimado para garantir esses benefícios para o segmento frigorífico como um todo", concluiu.
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