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Rios Voadores: projeto avalia a importância da Amazônia para a manutenção da chuva - 28/04/2008

Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br


É possível que mais da metade das chuvas do sudeste do Brasil sejam originarias da Amazônia

Aldrey Riechel

Coordenado pelo pesquisador Gerard Moss e por sua esposa Margi Moss, o projeto Rios Voadores, experiência inédita no Brasil, realiza expedições aéreas para coletar mostras de vapor d'água e identificar o "DNA" da chuva como forma de conseguir identificar sua origem.

Foto Julio Fiadi

Gérard e Margi Moss atuam há 5 anos a frente do projeto Brasil das Águas

Desde junho do ano passado, quando o projeto começou, já foram realizadas seis expedições pelo céu do país coletando vapor d'água dos chamados "Rios Voadores".  O termo representa as correntes de ar que carregam umidade de Norte e Sul do Brasil e são responsáveis por grande parte das chuvas no Centro-Oeste, Sudeste e no Sul no país.  "Quando chamamos rios voadores (rios atmosféricos) o que a gente considera é o movimento de ar úmido que sai da Amazônia e pode atingir a Argentina e até São Paulo", explica Gerard Moss.

"Em números redondos a quantidade de vapor d'água transportada equivale a praticamente o rio Amazonas, que é o maior rio da do mundo tanto em volume d'água quanto em comprimento", afirma Gerard.  Ele ressalta que ainda há pouco conhecimento existente sobre os rios voadores.

Os pesquisadores esperam que no mês de maio seja possível divulgar os resultados preliminares da pesquisa, mas ainda não possuem uma data marcada.  "Os cientistas são muito cuidadosos e não querem afirmar nada que não seja testado", afirma Gerard.

Na "linha" dos desertos
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil estão na mesma faixa de latitude de onde se encontram os maiores desertos do mundo (Atacama, no Chile, Namibe, na Namíbia, Kalahari, no sul da África e o deserto australiano). 

Foto Margi Moss

Tiago Iatesta controla a coleta de amostras de vapor d’água a bordo do monomotor, sobrevoando a Amazônia
Antonio Nobre comenta que "O fato de São Paulo, Paraná, Bolívia, Paraguai e o norte da Argentina não serem um deserto precisa ter uma explicação".

Para Gerard, é um pouco drástico dizer que sem a floresta isso tudo se tornaria deserto.  Segundo ele podem existir vários fatores.  "Mas um fato é a existência desse movimento de ar da Amazônia, que com certeza tem uma relação".

De acordo com estudos, cada árvore de grande porte pode transpirar 3 mil litros de água por dia.  "O objetivo do projeto é a valorização da floresta amazônica como todos os outros biomas", afirma Gerard, que aposta na iniciativa também como uma forma de conscientizar as pessoas.  "Não é sustentável desmatar para colocar gado, soja ou seja lá o que for", conclui.


Expedições

A expedição é a nova etapa do projeto Brasil das Águas, iniciado em 2003 pelo casal com o objetivo de traçar uma visão panorâmica dos principais mananciais do país.  Nesta etapa do projeto busca-se quantificar o volume de água que chega ao sudeste pela Amazônia e estabelecer alguns parâmetros dos fluxos de vapor.

Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Antônio Nobre a proposta foi inspirada no trabalho do Prof.  Dr. Eneas Salati, que faz, desde os anos 1970, o acompanhamento do vapor d'água que sai da Amazônia.  Atualmente Salati desenvolve o projeto com mais nove pesquisadores, que também fazem coletas de águas de alguns rios do Brasil.

Foto Margi Moss
Rio Tamitatoala, próximo ao Parque Indígena do Xingu (MT), mostra toda a beleza de um rio e uma floresta intactos

A parte inovadora consiste, segundo Gerard, nas campanhas aéreas "fizemos seis campanhas, é a parte inovadora.  Ninguém teve equipamentos para cobrir todo o país.  Coletamos amostras para definir a proporção isótopos, átomos que possuem uma assinatura da gotinha da água para mapear sua origem".

A última expedição teve como destino o Pantanal e arredores.  Passando por Corumbá, o noroeste do Paraná e o oeste do estado de São Paulo, com o objetivo de estudar o Pantanal como provedor de umidade para o resto do país, sabendo que uma parte da umidade que sai da Amazônia transita pela região.

Para seguir o percurso certo, o piloto conta com o apoio de meteorologistas da Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), situado em Cachoeira Paulista (SP).  Um computador de alta tecnologia faz previsão numérica de tempo em área limitada baseada em um modelo de previsão de tempo (modelo BRAMS).  Com essa tecnologia, é possível definir o deslocamento das massas de ar em 48h e segui-las.

A expedição anterior seguiu o rastro dos "rios voadores", entre 4 e 11 de fevereiro.  Gerard percorreu 7.000 km passando pelas cidades de Palmas (TO), Belém (PA), Santarém (PA), Manicoré (AM), Porto Velho (RO), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Piracicaba (SP).

Veja animação sobre os rios voadores

Para saber mais acesse o site:
www.riosvoadores.com.br


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