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Estado reforça erro de 90% em dado do Inpe - 13/03/2008

Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
Link: www.diariodecuiaba.com.br


Com base no resultado preliminar de vistoria in loco da Sema, governador divulgou ontem que, em 662 áreas, apenas 10,12% tinham corte raso

Aline Chagas

Levantamento preliminar das supostas áreas desmatadas em Mato Grosso realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) aponta um erro de aproximadamente 90% nos dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente, que foram baseados no relatório produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.  Os dados apresentados pelo governador Blairo Maggi em reunião ontem à tarde mostram que das 662 áreas apontadas como desmatadas recentemente, apenas 67 realmente estavam com corte raso, um índice que equivale a 10,12% do total.

Conforme o superintendente de Infra-estrutura, Mineração, Comércio e Energia da Sema, Salatiel Araújo, das 1.135 áreas apontadas como desmatadas pelo relatório do Inpe, 662 receberam visitas "in loco" dos técnicos da Secretaria.  Para classificá-las como desmatadas ou não, a Sema utilizou o conceito do PRODES (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia) de que o desmatamento é corte raso.  Também foram avaliadas áreas com ocorrência de incêndio (12,69%), áreas com desmatamento antigo e áreas sem indícios de desmatamento.

Salatiel mostrou fotos de locais que estariam entre as apontadas pelo relatório do Ministério como desmatadas recentemente e que, na verdade, estariam com árvores em pé, sem indícios de desmate.  Segundo ele, alguns detalhes podem ter atrapalhado a análise das imagens do Deter, como as nuvens que aparecem nas imagens e as queimadas, que ocorreram em grande proporção no ano passado.  O relatório será levado a Brasília para ser apresentado aos órgãos de Meio Ambiente e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.  Maggi disse que pretende marcar um encontro assim que as informações estiverem prontas.

Prefeitos dos 19 municípios apontados como os que mais desmataram a região amazônica, representantes de sindicatos ligados ao setor madeireiro, produtores rurais e deputados se reuniram com Maggi na tarde de ontem para conversar sobre a operação Arco de Fogo, realizada pela Polícia Federal, Força Nacional e Ibama.  Uma das principais reclamações é quanto à suposta abordagem truculenta da PF na operação.

Na conversa, o governador afirmou que se a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, não considerar os acordos pactuados, quando ficou definida a gestão ambiental do Estado pela Sema, Mato Grosso não será mais o responsável por esta atividade.  Segundo Maggi, em conversas anteriores, foi estabelecido um acordo de que os critérios para a atividade madeireira no Estado seriam diferentes dos determinados pelo Ibama e, desde então, em Mato Grosso segue-se as referências regionais.  "Agora, se o Ibama não concorda com o método utilizado pela Sema e insistir em usar nesta operação (Arco de Fogo) os critérios deles, Mato Grosso vai renunciar o convênio da gestão ambiental", ameaçou.

DECRETO - Três das principais entidades de classe de Mato Grosso entrarão, juntas, na Justiça Federal, contra os efeitos do decreto ministerial que determinou sanções aos 19 municípios.  Associação Mato-grossense dos Municípios, Federação das Indústrias de Mato Grosso e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiram intervir na polêmica ambiental, que se intensificou com o início da Operação Arco de Fogo no Nortão, esta semana.


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