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Retirada dos arrozeiros é irreversível, diz Anchieta Júnior - 12/03/2008

Local: Boa Vista - RR
Fonte: Folha de Boa Vista
Link: http://www.folhabv.com.br


Uma reunião preparatória ontem, para outra que acontecerá às 9h de hoje, na sede do Tribunal de Justiça, serviu para aplainar a tentativa de acordo que o governo quer fazer para evitar traumas na retirada de não-índios da Raposa Serra do Sol. O esforço em nome da paz social é feito pelos representantes dos três poderes estaduais: Executivo, Judiciário e Legislativo.

O governador Anchieta Júnior (PSDB) conseguiu temporariamente suspender a desocupação da reserva indígena homologada e chamou os dirigentes dos demais poderes para cooperarem na busca de uma solução harmoniosa. Os arrozeiros foram convidados para a reunião de ontem, onde estavam técnicos capazes de oferecer soluções para o grave problema que os produtores estão passando.

Na avaliação do presidente do TJ, desembargador Robério Nunes, em decorrência da decisão do Governo Federal os rizicultores sofrerão prejuízos inevitáveis de grande monta. Mas poderão ser amenizados por soluções que o Executivo oferece, evitando que também o Estado sofra na sua economia e no índice de emprego, visto que os arrozeiros contratam mais de mil pessoas diretamente.

“O governador Anchieta se comprometeu em levar ao Governo Federal uma resposta dos arrozeiros a respeito de uma solução pacífica. Por isso, quer ouvir os produtores e reuniu os dirigentes das instituições do Estado, todos interessados na paz social. A depender da disponibilidade dos arrozeiros, haverá um aguardo na operação de desintrusão. Se for frustrado o intento do governador, será inevitável a desocupação dolorosa”, declarou o presidente do Tribunal de Justiça.

O governo quer demonstrar aos empresários que, embora seja impossível compensar os danos em toda a sua extensão, o Estado tem condições de amenizar doando áreas apropriadas e dotando-as de infra-estrutura, de modo a possibilitar que o setor da rizicultura continue a gerar empregos, riqueza e atividade econômica lícita para os empresários.

Na reunião de hoje, os dirigentes dos poderes do Estado vão argumentar junto aos empresários, sobretudo da forma em que as coisas estão sendo colocadas, que o processo de desintrusão é irreversível, acontecerá de forma drástica ou mais amena. “Já que é inevitável, pretendemos que a desocupação se opere de forma menos prejudicial ao Estado, a sociedade, aos trabalhadores e aos empresários”, comentou o desembargador Robério Nunes.

Venezuelano quer investir no setor de plástico na Capital
A perspectiva de implantação da Área de Livre Comércio (ALC) e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) atrai empresários venezuelanos. Sérgio Perez, que tem investimentos no setor pecuário e de plásticos, foi recebido em audiência pelo prefeito Iradilson Sampaio (PSB) e demonstrou interesse em expandir seus negócios até Roraima.

Estabelecido em Ciudad Guyana (Estado Bolívar), o empresário declarou que num país política e monetariamente estável, o Estado de Roraima oferece boas possibilidades de crescimento. Ao falar sobre um de seus negócios, disse que para ele seria fácil conseguir polietileno.

Poucos dias atrás ele estava em entendimento com um grupo chinês, mas está mais animado com as condições daqui. “Procuramos novos mercados e tendo em vista a proximidade e o processo de desenvolvimento me parece que a região mais interessante seja Roraima, particularmente o Município de Boa Vista”, declarou Sérgio Perez.

Na conversa com o prefeito, o empresário venezuelano ressaltou que a estabilidade administrativa e monetária do Brasil é um aspecto relevante. Em seu país as freqüentes variações levam a classe empresarial a buscar locais mais seguros para investimentos de longo prazo.

“Por outro lado, aqui poderemos conseguir incentivos através da Prefeitura e do Governo Estadual para fazermos investimentos estáveis que permitam gerar empregos e crescer. Temos experiência. Talvez possamos estabelecer uma relação comercial se encontrarmos o ambiente adequado”, comentou.

Também especializado na pecuária de corte, ele insiste na preocupação com a estabilidade. Alega que a produção de carne exige investimentos em equipamentos diversos e precisa de segurança. Segundo ele, as freqüentes ações de sindicalistas que destroem máquinas, plantios e equipamentos obrigam os investidores a buscarem países onde as portas estejam abertas ao desenvolvimento e permitam a expansão da iniciativa privada.

PREFEITO – O prefeito conversou com o empresário após a visita que o venezuelano fez ao Distrito Industrial, a área onde será instalada a ZPE e a Cooperativa Grão Norte. Iradilson Sampaio falou das atividades de Sérgio Perez e destacou o interesse dele em investir em Boa Vista.

“Apresentei um relato sobre as condições do Município, das oportunidades e demonstrei o nosso interesse em receber investimentos. Ainda mais, de pessoas oriundas de um país como a Venezuela, que faz fronteira com o Brasil. Para todos os investidores, as portas do Município estão abertas”, declarou o prefeito. (C.P)

Senador insiste e presidente promete transferir terras
A bancada do PT no Senado esteve em audiência com o presidente Lula da Silva. O encontro começou às 19h e estendeu-se além das 21h. Apoiado pelos colegas, o senador Augusto Botelho (PT) insistiu para que o Governo Federal transfira com a maior rapidez possível as terras que pertencem ao Estado de Roraima.

Durante o encontro predominaram temas de interesse nacional que tramitam no âmbito do Legislativo e que o Executivo tem a expectativa de vê-los aprovados. Ao falar para o presidente, o senador roraimense insistiu na questão que vem atormentando o setor produtivo e a própria sociedade.

Expôs que sem a titularidade das terras, o Estado estava impedido de elaborar e executar projetos de desenvolvimento. Ou ainda contornar crises que ao longo dos anos vinham sendo criadas pelo Governo Federal, como as demarcações de terras sem o devido reassentamento dos produtores retirados dessas áreas.

O senador disse que suas colocações foram reforçadas imediatamente junto a Lula por colegas de diferentes estados. Os senadores concordaram que Roraima precisava de um caminho alternativo para o seu desenvolvimento. De certa forma, Lula foi instigado a dar uma resposta positiva ao Estado.

Após ouvir as razões apresentadas por Botelho e apoiadas pelos demais senadores, o presidente disse que estava em processo de entendimento com o governador Anchieta Júnior (PSDB) e que equipes das duas esferas de governo estariam se articulando tendo em vista a transferência das terras.

O presidente disse ainda que após a audiência com Anchieta Júnior, decidira suspender a Operação Upatakon III, pelo prazo de 60 dias, para que o governo estadual buscasse entendimento com os arrozeiros. O senador entende que conforme a evolução das negociações no âmbito regional, o presidente transfira as terras para o Estado no prazo de 90 dias.

“Ao falar para a bancada, o presidente Lula disse que iria resolver o problema de Roraima como um todo. Tanto a questão indígena quanto a fundiária do Estado. Eu acredito que teremos uma definição positiva para o Estado, também motivada pela atuação do governador Anchieta e da bancada federal do Estado que têm se esforçado nesse sentido”, declarou Augusto Botelho. (C.P)


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