Servidores do Incra têm bens bloqueados pela justiça federal - 28/02/2008
Local: Belém - PA
Fonte: O Liberal
Link: http://www.oliberal.com.br/index.htm
A Superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Santarém, alega que ainda não foi notificada da decisão judicial que suspende a aplicação de mais de R$ 18,6 milhões de reais destinados à construção de estradas vicinais em quinze assentamentos. Mais o motivo que assombra a cúpula do órgão, é que a medida também determina bloqueio de bens e a quebra dos sigilos bancários, fiscal e telefônico de servidores do instituto acusados de irregularidades. Quanto à quebra de sigilo telefônico todos os servidores citados ação já foram informados desde a última decisão judicial. As investigações correm em segredo de justiça. O juiz federal Kleper Gomes Ribeiro atendeu a solicitação de decisão liminar de um processo de improbidade administrativa movido pelo Ministério Público Federal (MPF). Na ação civil pública são citados os nomes de nove servidores do Incra em Santarém. Os bens do ex-superintendente Pedro Aquino de Santana e do chefe da Divisão de Desenvolvimento do Incra de Santarém Luiz Edmundo Leite Magalhães serão tornados indisponíveis até o limite de R$ 2,7 milhões, quantia que, segundo o MPF, é a necessária para ressarcir os cofres públicos. Os dois terão também seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos quebrados, juntamente com o superintendente-adjunto em Santarém, Sílvio Carneiro de Carvalho, o chefe da procuradoria jurídica, Dilton Rego Tapajós, o chefe da divisão de obtenção de terras, Raimundo Guilherme Pereira Feitosa, os executores do instituto em Altamira, Bruno Lourenço Kempner, e Rurópolis, Brunilda Meurer Nascimento, o perito federal agrário Samuel Ribeiro Figueiredo, e o empreiteiro José Wilson Alves de Aguiar. A Justiça vai solicitar à Receita Federal os dados bancários de todos os denunciados referentes ao período de 2004 até hoje. Esses dirigentes são acusados de criar 107 assentamentos irregulares. De acordo com o Ministério Público do Pará, os assentamentos irregulares, sem licenciamento ambiental, sem estudos socioeconômicos e alguns deles sobrepostos em unidades de conservação federal e que não beneficiariam os clientes da reforma agrária, têm 56 mil quilômetros quadrados, aproximadamente o tamanho do estado da Paraíba. Foi determinado ainda a realização de uma auditoria imediata nos processos de criação dos assentamentos, dos cadastros e nas concessões de créditos a beneficiários da reforma agrária na região. De acordo com as investigações do MPF, os projetos de reforma agrária criados pelo Incra na região nesse período se localizavam preferencialmente em áreas de mata virgem, evitando regiões já alteradas pela ação humana, o que significou o assentamento fictício de famílias em porções completamente inacessíveis da floresta amazônica. A explicação para isso, registrada em documentação apreendida pelo MPF, é a ingerência do setor madeireiro no processo de criação dos assentamentos. Mais de dois milhões de hectares foram destinados ao setor privado dessa forma. O MPF calculou o potencial econômico dos assentamentos que na verdade serviriam para a exploração madeireira, usando como referência a área total manejável dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDSs) criados na região. 'Teríamos a gigantesca cifra de mais de R$ 11,5 bilhões a serem transferidos para a iniciativa privada mediante a cessão praticamente gratuita de terras públicas à indústria madeireira', informa a ação assinada por quatro procuradores da República (Marco Antonio Delfino de Almeida, Felipe Fritz Braga, Carmen Sant'Anna e Daniela Masset Vaz).
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