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MST ameaça bloquear ferrovia no Pará - 28/02/2008

Local: Belém - PA
Fonte: O Liberal
Link: http://www.oliberal.com.br/index.htm


Bloqueio está marcado para o próximo dia 15 de março

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marcou a data para o novo bloqueio da ferrovia de Carajás, por onde é transportado todo o minério de ferro da empresa mineradora Vale.  Vai ser no dia 15 de março.  E a mobilização para a o bloqueio da ferrovia contaria com o apoio de diversos movimentos sociais, incluindo garimpeiros de Serra Pelada.  O MST alega que há várias pendências que precisam ser cumpridas pela Vale nas áreas de habitação, saúde e educação.

No dia 17 de outubro do ano passado, o MST ocupou a ferrovia durante protesto que mobilizou mais de 1,5 mil trabalhadores sem terra e assentados da região de Parauapebas, Curionópolis, Marabá e Eldorado do Carajás.  Um trem da empresa foi apedrejado.  Na ocasião, o movimento, entre outras justificativas, alegou que estava protestando a favor da reestatização da Vale.

Em setembro, um mês antes da invasão, o MST havia liderado um plebiscito informal sobre a privatização da mineradora, ocorrida em 1997.  A iniciativa contou com a participação de 3,7 milhões de votos.  O argumento mais forte utilizado para a ameaça de nova invasão seria o fato de que a exploração mineral na região, feita pela Vale, tem causado 'graves danos ao meio ambiente' e 'grande impacto social' sobre as famílias que vivem na região.

A empresa, em nota, manifesta 'indignação' com mais uma ameaça de invasão da estrada de ferro Carajás.  'O MST afirma contar com o estranho apoio de alguns garimpeiros que se autodenominam integrantes do Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros na Mineração (MTM) - dois movimentos com os quais a Vale não mantém qualquer relacionamento', observa a nota.

No último dia 22, a Vale solicitou à Justiça um interdito proibitório, para garantir a segurança da área, e informou aos órgãos públicos federais e do Estado do Pará a gravidade da ameaça de interromper o transporte de minério e de passageiros na ferrovia.  'A Vale reafirma seu repúdio à repetição deste tipo de prática criminosa.  É importante destacar que, na ocasião, foram prejudicadas 1,3 mil pessoas de 23 municípios do Pará e Maranhão que, diariamente, utilizam o trem de passageiros, e interrompido o abastecimento de combustível para as cidades do sudeste do Pará'.

A Vale chama a atenção, na nota, para o fato de a ameaça ter como base reivindicações que, como na situação anterior, 'não guardam qualquer relação com a empresa'.  Cabe, diz ela, aos governos estadual e federal a condução do processo de negociação com esses manifestantes sobre temas sociais e econômicos.  Por fim, antecipa sua decisão de não ceder a qualquer tipo de ameaça.  E diz esperar que os poderes estadual e federal 'tomem as medidas cabíveis' para garantir a ordem e o estado de direito.


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