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Senado aperta Inpe sobre dados das derrubadas na Amazônia - 14/02/2008

Local: Internacional - AC
Fonte: Agência Amazônia
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Chico Araújo

Vem aí mais polêmica sobre os desmatamentos na Amazônia.  Depois do senador Jayme Campos (DEM-MT) suspeitar da veracidade dos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre a devastação da região, agora é a vez do senador Romeu Tuma (PTB-SP).  Ele pediu no Senado a criação de uma comissão especial para esmiuçar os dados do instituto.

Em janeiro, o Inpe anunciou que a devastação na Amazônia teria superado 3.235 km² nos últimos cinco meses do ano passado.  A destruição, de acordo com o instituto, teria atingido um nível sem precedentes desde o início do monitoramento em tempo real, há quatro anos.  As imagens de satélites colocam o Pará, o Mato Grosso e Rondônia no topo da lista.

Mas os senadores não estão convencidos dos números.  O senador Romeu Tuma, por exemplo, quer cruzar as estatísticas do Inpe com as elaboradas pelo Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e o Sistema de Proteção Ambiental da Amazônia (Sipam).  Para ele, somente a partir desse cruzamento é possível saber se, de fato, o desmatamento da Amazônia atingiu mesmo os números catastróficos anunciados.

Em discurso no Senado, Jayme Campos foi taxativo.  Afirmou, sem meias palavras, que o desmatamento da Amazônia anunciado pelo Inpe "não têm nenhum fundamento".  "É uma inverdade, uma leviandade.  Não sei de quem é o jogo que está sendo feito.  Não existe nada concreto, nenhum fundamento de verdade", garantiu.  Pelos dados do instituto, os estados do Mato Grosso, Rondônia, Acre e Pará seriam responsáveis por mais de 50% de toda a área desmatada entre agosto e dezembro de 2007.

Campos aproveitou para criticar o governo.  Segundo ele, a União não dá a atenção merecida à região amazônica, carente de investimentos.  O senador lembrou que a Amazônia precisa, e com urgência, de investimentos pesados em estradas, logística, saúde e educação.

O senador também afirmou o Ministério do Meio Ambiente está querendo punir os agricultores dessas regiões, ou seja, do chamado mapa da devastação, quando proíbe novos desmates "sem levar em consideração que a maioria das derrubadas na região é feita de forma clandestina".

"Essa questão do desmatamento na Amazônia tem que ser vista com outros olhos, nem sob o prisma exclusivo dos preservacionistas, e muito menos pela óptica devastadora dos expansionistas.  O assunto deve ser tratado com equilíbrio", defendeu.  "Não se pode coibir a derrubada simplesmente com um decreto, como quer a ministra Marina Silva.  Preservar o meio ambiente é uma obrigação ética tão vital quanto buscar alternativas para um território que quer produzir um Brasil melhor", acrescentou Jayme Campos.


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