Caminhonaço - Empresários do Pará são contrários a pavimentação da Cuiabá-Santarém - 12/08/2002
Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
Link: www.diariodecuiaba.com.br
O caminhonaço pela conclusão da pavimentação da BR-163 Cuiabá-Santarém terminou sábado, com um ato público no cais do porto de Santarém (PA). Oito dos participantes não chegaram à cidade: seus caminhões quebraram no trecho de 120 km coincidente com a rodovia Transamazônica. O comboio com mais de 60 carretas e caminhões carregados com soja, milho, açúcar, cargas fracionadas, secador e ração animal desfilou sábado pela manhã pelo centro da cidade. A manifestação terminou no porto, onde autoridades locais e centenas de moradores deram as boas-vindas. Em seu pronunciamento o prefeito do município, Lira Maia (PMDB), estimulou os mato-grossenses a investirem em sua região, "aqui é uma terra de gente, para gente sem terra", resumiu. O comboio que partiu no dia 5, de Nova Mutum, e percorreu 1.510 km nos dois estados, será descarregado hoje em estabelecimentos comerciais locais. A classe política de Santarém luta pela conclusão da BR-163, mas em Belém o sentimento é contrário, revela uma autoridade local. Grandes empresários e políticos de expressão regional no Pará são donos de barcos que navegam nas rotas para Itaituba, Altamira, Belém, Manaus (AM), Macapá (AP) e outras cidades ribeirinhas da Amazônia. A pressão contrária à pavimentação prejudica Santarém e cidades circunvizinhas. A distância por rodovia da cidade a Belém é de 1.600 km, com apenas 300 km pavimentados na Belém-Brasília. Milhares de pessoas embarcam todos os dias no porto de Santarém, dividindo espaço com cargas, inclusive de gás GLP, diesel e gasolina. O faturamento dessas embarcações - a maioria em mãos de empresários e políticos de Belém - bota uma faca na garganta do sonho pela pavimentação. Esse posicionamento contrário a obra se espalha pelo Amazonas e Amapá, estados vizinhos e que também utilizam de barcos de transporte. A força política dessa região amazônica atravanca a execução da pavimentação. Soja à vista - Santarém (oeste do Pará, na margem esquerda do Tapajós) tem uma safra acanhada que não passou de um milhão de sacas de grãos no ano passado. Mas, o município ensaia os primeiros passos na agricultura mecanizada com a chegada de produtores de soja que migraram de Mato Grosso ou simplesmente expandiram seus negócios para lá. Nas margens da BR-163, perto na cidade, uma placa anuncia que ali é propriedade do maior produtor individual de soja do mundo, Eraí Maggi Schiffer, de Rondonópolis. Além de Eraí, outros barões da agricultura se fazem presentes, a exemplo dos Ferronato, de Várzea Grande. A Bunge Alimentos também está de olhos nas barrancas do Tapajós, e seu diretor, Alexandre Schiller, revelou que o grupo pretende investir na região. Eduardo Gomes
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