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Mundo consome 20% mais do que pode repor - 10/07/2002

Local: São Paulo - SP
Fonte: O Estado de S.Paulo
Link: http://www.estado.com.br/


Estudo da WWF indica crise sem precedentes e redução da qualidade de vida até 2030

Campinas - A Terra tem 11,4 bilhões de hectares - terrestres e marinhos - considerados produtivos e sustentáveis, isto é, com capacidade de renovação. É o equivalente a um quarto do planeta, além das áreas geladas, desertos e oceanos abertos. Mas já está sendo usado o equivalente a 13,7 bilhões de hectares para produzir alimentos, água, energia. A diferença - 2,3 bilhões de hectares ou cerca de 20% - sai de estoques não renováveis, configurando uma crise sem precedentes, que tende a reduzir drasticamente, e de forma desigual, a qualidade de vida até 2030. As contas são do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e constam do Relatório Planeta Vivo, lançado ontem, em Genebra, na Suíça.

"O fato de vivermos em um planeta abundante, mas não sem limites, é um desafio para os líderes que participarão da Rio +10", diz o diretor-geral do WWF-Internacional, Claude Martin. "Se não assegurarmos a saúde dos ecossistemas, nunca seremos capazes de garantir um padrão de vida aceitável para a maior parte da população."

Para os autores do relatório, os líderes mundiais têm a chance de reverter essa tendência, se optarem por sistemas de produção mais sustentáveis, uso adequado de recursos naturais e racionalidade no consumo de bens, sobretudo, de energia. Eles sugerem mais empenho na substituição dos combustíveis fósseis e na promoção de tecnologias limpas, edificações inteligentes, sistemas de transporte mais eficientes e mercados de consumo mais sustentáveis. Sem descuidar da conservação e restauração dos ecossistemas.

'Pegada ecológica' - O WWF vem trabalhando com uma série de indicadores ambientais para determinar o que chamou de "pegada ecológica" de cada um dos 6 bilhões de seres humanos, uma espécie de rastro deixado no planeta. Quanto maior o desperdício de recursos naturais, maior é a "pegada ecológica".

O estudo traz um ranking de 146 países com mais de 1 milhão de habitantes.

Países desenvolvidos tendem a deixar rastros maiores, por causa de padrões insustentáveis de consumo, sobretudo de energia. Mas alguns países em desenvolvimento também se destacam, notadamente pela ineficiência de seus sistemas de produção ou pela grande dependência do consumo direto de recursos naturais como pescado e lenha.

Os dez primeiros do ranking são Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Finlândia, Noruega, Kuwait, Austrália, Suécia e Bélgica/Luxemburgo, todos eles com uma "pegada" superior a 6 hectares per capita, sendo que os Emirados Árabes Unidos superam os 10 hectares.

A "pegada" média, de todo o mundo, é 2,3 hectares per capita e a capacidade de suporte da Terra seria de 1,9 hectare per capita. O Brasil figura em 55.º lugar, com uma "pegada ecológica" de 2,3 hectares.

O relatório traz também rankings específicos para alguns tipos de produção e, nestes, o Brasil fica entre os dez menos sustentáveis quanto ao uso de pastagens (7.º lugar) e entre os 30 menos sustentáveis na extração florestal madeireira (24.º lugar). Nos índices de uso de recursos naturais para produção de grãos e pesca, o País está em posições mais confortáveis, em 55.º e 78.º, respectivamente.

Espécies - Além da "pegada ecológica", o WWF também estabeleceu um Índice Planeta Vivo (IPV), que mede a qualidade ambiental, a partir de três outros índices: populações de espécies florestais, populações de espécies marinhas e populações de espécies aquáticas (de água doce). O primeiro avalia o estado de 282 espécies de aves, mamíferos e répteis, considerados indicadores, de florestas. O segundo avalia as 217 espécies indicadoras de aves, mamíferos, répteis e peixes de oceanos e áreas costeiras e o terceiro, de 195 espécies indicadoras de aves, peixes, mamíferos, répteis e anfíbios de lagos, rios e áreas úmidas.

Nos últimos 30 anos, os três índices declinaram e as espécies aquáticas foram as mais afetadas, com declínio médio de 54%. As populações das espécies marinhas declinaram 35%, em média, e as florestais, 15%. Dentre todas as regiões biogeográficas, os ecossistemas tropicais e os ecossistemas temperados do Hemisfério Sul têm perdido biodiversidade mais rapidamente.

Liana John


Clique no link para ler a notícia na íntegra:

http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/07/10/ger016.html




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