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Nova usina da Vale em Carajás abre polêmica - 08/07/2002

Local: Rio de Janeiro - RJ
Fonte: Jornal do Brasil Online
Link: http://jbonline.terra.com.br/


Investimento de US$ 400 milhões traz temor de monopólio

Belém - A Companhia Vale do Rio Doce, em sociedade com a empresa americana Nucor, pretende investir, a partir do próximo ano, US$ 400 milhões, na região de Carajás, no Sul do Pará, para produzir 520 mil toneladas/ano de ferro-gusa.  Isso representa exatamente a soma da produção atual das duas usinas (Cosipar e Simara) instaladas em Marabá, o equivalente a um faturamento de US$ 230 milhões.  Até o fim do ano, porém, outras três usinas (Usimar, Ibérica e Terra Norte) devem entrar em funcionamento, elevando a produção atual do Pará para 780 mil toneladas.  O que poderia ser uma boa notícia para a economia regional está tirando o sono dos empresários já instalados na região.  Eles temem que a entrada da Vale leve a um canibalismo no setor.  Chegaram a propor à concorrente que o investimento fosse usado para ampliar a capacidade das usinas já instaladas, ficando a Vale como fornecedora e responsável pela logística.  Hoje, as usinas de gusa representam um faturamento de US$ 60 milhões para a ex-estatal.  ''A Vale detém o monopólio como fornecedora de minério de ferro, transportadora de insumos para as usinas do Pará, do Maranhão e de Minas, e como operadora do porto (Itaqui, no Maranhão)'', observa um dirigente da Associação Comercial e Industrial de Marabá.

Com a usina da Vale, a produção paraense de gusa passará para 1,3 milhão de toneladas.  O Maranhão, com cinco usinas, produz 700 mil toneladas, o que fará de Carajás o segundo maior pólo produtor de gusa, atrás apenas de Minas Gerais, com 4 milhões de toneladas - embora em declínio, por falta de carvão vegetal e dos altos preços do frete.  Mas, à medida que a Vale passar a produzir e a comercializar gusa com a Nucor, que compra, hoje, mais de 60% da produção de Carajás, os empresários do setor acreditam que ficarão vulneráveis.  ''Se houvesse outro fornecedor do minério de ferro e outro transportador, todos ficariam mais tranqüilos'', acrescenta o presidente da Associação das Siderúrgicas de Carajás, Luiz Carlos Monteiro.

Segundo o diretor-executivo de Participações e Desenvolvimento de Negócios da Vale, Antônio Miguel Marques, a decisão foi tomada com base no crescente consumo de gusa, e não para monopolizar o mercado.  ''A Vale vem para complementar os atuais produtores de gusa no Pará e em Minas Gerais, suprindo a demanda cada vez maior dos países industrializados, principalmente os Estados Unidos'', disse.

Os empresários temem, ainda, que as medidas protecionistas americanas possam afetar o consumo de gusa, matéria-prima intermediária para a produção de aço, derrubando o preço, que já caiu de US$ 150 para US$ 110 desde o ano passado.  Como alternativa, apontam a verticalização mineral, que deveria ter sido seguida desde o início da exploração da maior mina de ferro do mundo da instalação das indústrias de alumina e alumínio da própria Vale, o complexo Albrás-Alunorte, em Barcarena, a 30 quilômetros de Belém.  Sem o projeto, o Pará continua exportando produtos semi-elaborados, ou seja, ferro-gusa e lingotes de alumínio - em ambos os casos, com sérios danos ecológicos.

Antônio José Soares





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