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Hepatite mortal ataca crianças no Acre - 04/07/2002

Local: Rio de Janeiro - RJ
Fonte: Jornal do Brasil Online
Link: http://jbonline.terra.com.br/


Brasília - O presidente da Associação dos Portadores de Hepatite do Acre (Aphac), José Luiz Gomes Dantas, denuncia a existência de focos de um tipo mortal de hepatite, a D (Delta), no Estado. Já foram confirmados exames positivos de seis mortes pela doença nos municípios de Porto Walter e Tarauacá ocorridas nos últimos três meses. Conhecida no Acre como ''morte-negra'', a hepatite D é fulminante.

Das seis crianças mortas, quatro, de 3 a 10 anos de idade, eram de Porto Walter, a 800 quilômetros de Rio Branco. ''Estamos muito preocupados. Os casos são mais agressivos e não temos idéia de quantos estão morrendo, já que muitos não chegam nos hospitais. As crianças mortas tinham sido imunizadas'', diz Dantas. Segundo ele, há pouca informação sobre a doença.

O agente da hepatite Delta é um vírus que necessita da presença de outro, o do tipo B, para sua replicação. Pode ser transmitido por pele e mucosa, relações sexuais, agulhas, instrumentos contaminados em perfurações de orelha, tatuagens, transfusão de sangue e procedimentos cirúrgicos, entre outros. As hepatites virais podem provocar hemorragia de múltiplos órgãos, particularmente de cérebro e pulmões.

A Aphac contabiliza outras 30 pessoas contaminadas pelo vírus da hepatite D no Estado, incluindo quatro no Vale do Juruá. A associação, agora, defende a realização de exames de sorologia em toda a população. A médica infectologista Suiane da Costa Negreiro, funcionária do Hospital de Cruzeiro do Sul, onde faleceram três dos quatro menores de Porto Walter, em março, confirmou as mortes das seis crianças, mas preferiu não divulgar os nomes dos familiares. ''É preocupante'', diz a médica. ''Temos hoje mais sete pessoas de uma mesma família contaminadas com hepatite D no município de Rodrigues Alves.''

A Aphac defende maior controle para evitar subnotificação da doença. Suiane diz que os atestados de óbito das três crianças mortas em Cruzeiro do Sul não identificam a hepatite D como causa mortis. ''A confirmação só veio bem depois, com a análise dos laboratórios'', explica.

O coordenador de Vigilância Epidemiológica da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Eduardo Hage, disse ter sido informado recentemente sobre casos de hepatite D no Acre. Hage solicitou ao Estado novos exames para confirmar definitivamente a presença da doença. A Funasa já tinha enviado dois técnicos ao Acre para acompanhar o problema.

Hugo Marques





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