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Começa julgamento de 124 policiais de Carajás - 11/06/2002

Local: São Paulo - SP
Fonte: O Estado de S.Paulo
Link: http://www.estado.com.br/


Juiz rejeita recurso que alegava impossibilidade de julgar todos de uma só vez e não suspende sessão

Belém - O juiz Roberto Moura recusou o pedido para que o julgamento de 124 policiais militares acusados pela morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, em 1996, fosse suspenso. A requisição havia sido feita pelos advogados Marcelo Freitas, Marco Apolo Leão e Hernandes Margalho, assistentes da promotoria. Segundo eles, era física e juridicamente impossível julgar todos os réus numa única sessão. Com a decisão, o julgamento começou ontem, em Belém.

"Não vejo nenhuma razão para isso (a suspensão do julgamento)", argumentou Moura. Indignados com a decisão, os três assistentes se retiraram do salão do júri antes do início da sessão, prometendo ingressar a qualquer momento com recurso no Tribunal de Justiça para suspender o julgamento.

Freitas foi taxativo: "Não vamos participar desse pacto de absolvição." Os promotores Marco Aurélio do Nascimento e Rui Barbosa lamentaram a decisão dos seus assistentes, garantindo que estão em condições de conduzir sozinhos o julgamento. Para eles, é melhor fazer tudo de uma só vez que dividir o julgamento em oito ou dez sessões, como desejavam os três advogados.

Mesmo com a ausência dos assistentes, o TJ do Pará começou a julgar ontem os 124 policiais militares. Deveriam sentar no banco dos réus 127 homens das tropas de Marabá e Parauapebas, mas o soldado Lindon Johnson foi expulso da corporação e está foragido, outro ficou doente e o terceiro teve o nome trocado na intimação. O juiz Roberto Moura vai apreciar o caso para decidir a data do julgamento dos três.

Ameaças - Até o fim da tarde, o juiz tinha ouvido em depoimento cerca de 50 acusados. Nenhum deles disse ter atirado ou visto quem atirou nos sem-terra. Todos afirmaram que tinham identificação nas fardas e quem atirou disse que foi para o alto. Nenhuma das testemunhas arroladas no processo quer depor diante de tantos réus. Todas temem represálias e estariam recebendo ameaças de morte.

Carlos Mendes


Clique no link para ler a notícia na íntegra:

http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/06/11/pol009.html




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