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Descoberto vulcão na bacia do Tapajós - 09/06/2002

Local: Belém - PA
Fonte: O Paraense
Link: http://www.oparaense.com/


Vulcão de 1,85 bilhão de anos é descoberto próximo a Itaituba e pode explicar a formação de ouro nessa região

A presença, num passado distante, de vulcões na Amazônia não é exatamente uma novidade para os geólogos brasileiros, mas um grupo de pesquisadores conseguiu encontrar mais do que os vestígios deixados pela grande quantidade de rochas vulcânicas na região.

Através de imagens de satélite, eles detectaram a presença de uma antiqüíssima caldeira vulcânica, talvez a mais antiga do país, com cerca de 1,85 bilhão de anos, na bacia do rio Tapajós, a 50 km ao sul de Itaituba, oeste do Pará. Com essa descoberta, os especialistas esperam explicar a abundância de minerais que ocorre nessa área, principalmente ouro e cobre, e incentivar futuras prospecções.

A equipe que encontrou o velho vulcão foi coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (USP), com a participação de professores do Centro de Geociências da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Mas que não pensem os leigos que vão visitar a região e encontrar uma formação como o Monte Etna, na Itália, ou o Fujiyama, no Japão, vulcões célebres que viraram atrações turísticas. O da Amazônia, que ocupa uma gigantesca área de 22 quilômetros de diâmetro, nem pode ser visto a olho nu, segundo o geólogo Cláudio Lamarão, da UFPA. "A caldeira está completamente recoberta por árvores e outras vegetações, só podendo ser detectada por satélites", explica.

Lamarão diz que sempre houve indícios de que a Amazônia era formada por uma grande quantidade de vulcões, devido às rochas encontradas na região, mas que é a primeira vez que se detecta uma formação mais preservada. "A erosão foi muito forte, e não existe mais o edifício vulcânico, muito menos os cones", diz, lembrando a antigüidade do vulcão.
"Ele é da era Paleoproterozóica, quando apenas bactérias microscóspicas habitavam a terra, muito antes de surgirem os dinossauros", comenta.

Ouro - A pesquisa sobre a origem do solo da região do Tapajós vem sendo desenvolvida já há algum tempo, e um dos objetivos é explicar se a origem vulcânica é responsável pela grande profusão de rochas auríferas locais. Itaituba é um dos municípios conhecidos por concentrar várias áreas de garimpo. Segundo Lamarão, existem vários estudos que indicam que, nessa região, o ouro pode ter origem a partir das rochas vulcânicas. "As rochas podem funcionar como hospedeiras do ouro, ou ele pode ter surgido a partir dos fluidos vulcânicos", observa. A comprovação, segundo o geólogo, viria se houvesse mais estudos sobre o assunto.
"Aqui na Amazônia temos poucas pesquisas nessa área. Seriam necessários trabalhos adicionais para saber a gênese desse mineral, quem sabe até com a participação de empresas de mineração", propõe.

Isso não quer dizer, segundo ele, que todo ouro é originário de rocha vulcânica ou o contrário, que toda rocha desse tipo origine o precioso mineral. "Essa é uma formação específica de algumas regiões que precisa ser melhor estudada", explica. Lamarão é doutor em Geoquímica e Petrologia e garante que o Centro de Geociências da UFPA tem vários pesquisadores e inúmeros trabalhos voltados para gênese das rochas da província mineral do Tapajós, que poderiam despertar o interesse de muitas empresas.

Estrutura de um vulcão

Os vulcões são formações geológicas que expelem materiais gasosos, líquidos e sólidos, durante as chamadas erupções.
O material gasoso pode conter cinzas, e os gases expelidos em maior quantidade são os sulfurosos, além de hidrogênio e grande quantidade de vapor d'água.

A parte líquida é constituída pelas lavas, material magmático em estado de fusão, com temperatura superior a 1000Cº, que se desloca pelos lados do cone vulcânico. O resfriamento da lava origina as rochas magmáticas, ou vulcânicas. A estrutura vulcânica é composta de:

Cone - É a montanha formada pelas sucessivas erupções, que provocam o acúmulo de materiais sólidos, tais como cinza e lava petrificada. O cone tem forma afunilada, terminada na cratera.
Cratera - boca afunilada que se forma devido às explosões que ocorrem na fase inicial da atividade. É a parte côncava situada no topo do cone e está ligada diretamente à chaminé.
Chaminé - abertura ou fenda através da qual os materiais são expelidos do interior da terra para a superfície, ligando a cratera ao ponto de origem do vulcão.
Caldeira ou câmara magmática - bolsões profundos preenchidos pelo magma em incandescente ebulição.

 Rose de Melo 
 





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