Festival de Parintins monta “ópera” na selva - 10/06/2002
Local: Rio de Janeiro - RJ
Fonte: Jornal do Brasil
Link: http://jbonline.terra.com.br/
Festival a 420 km de Manaus pode ser considerado uma espécie de carnaval indígena no meio da Amazônia Algumas emoções na vida costumam ser únicas e difíceis de descrever. Entre elas está a entrada no Maracanã lotado para assistir a seu time em final de campeonato. Ou a chegada ao Sambódromo todo iluminado para o desfile das escolas de samba do grupo especial. Se você já viveu algo assim, fica fácil entender o que significa entrar no bumbódromo de Parintins, a 420 km de Manaus (AM). A cidade localizada em uma ilha fluvial no meio da Amazônia sedia, entre 28 e 30 de junho, o Festival Folclórico de Parintins. Para quem assiste à festa, a comparação entre o bumbódromo e o Sambódromo acaba sendo inevitável. Pontos em comum existem, entre eles o fato de a competição não durar só uma noite, evoluir sob ritmo de música e contar uma história que tem como recheio carros alegóricos e fantasia. Mas acaba aí. Carnaval - A receita para aproveitar o espetáculo em todo o seu esplendor é esquecer tudo o que se viu antes. Uma arena majestosa numa pequena cidade no meio da floresta já é impressionante. Mais ainda é testemunhar o tamanho das alegorias que vão sendo montadas enquanto se desenrola o desfile de sons, cores e dança. Em Parintins, samba é toada e só há dois competidores – o boi Caprichoso, o preferido da elite e que tem como símbolo uma estrela azul na testa do boi negro, e o boi Garantido, o eleito do povão, cujo coração vermelho está representado na testa do boi branco. Ao invés de um sambaenredo por ano, uma trilha sonora é concebida para o espetáculo que dura seis horas por noite, três para cada boi. Aqui também não há um tema diferente por ano. O que muda é a maneira de contar a mesma história, que é baseada na lenda de mãe Catirina e pai Francisco. Essa crendice popular é a razão de ser de Parintins. Na pequena cidade, onde ainda falta estrutura turística, tudo é vermelho ou azul, as cores dos bois. Não há meio termo. Até a logomarca da Coca-Cola fica azul. No bumbódromo, cenário do show, metade das arquibancadas é azul e a outra vermelha. Nas ruas, placas de trânsito, orelhões, a pintura das casas, tudo se divide entre as duas cores. O outro lado nunca tem seu nome mencionado pela torcida. Isto é, um boi refere-se ao rival como “o contrário”. Por conta desse pacto de não ofensa e pela própria beleza que torcida traz ao espetáculo, finalmente a “galera” virou quesito em Parintins e tem seu comportamento analisado pelo júri. Por isso, quando um boi canta, a torcida do outro fica quieta sob pena de perder pontos perante os membros da comissão julgadora, que não pode ter nenhum representante do Rio Grande do Sul. A preocupação é de que as cores do maior clássico do futebol gaúcho, Grêmio (azul) e Internacional (vermelha), possam influenciar na decisão do jurado. Em 2002, cada um dos dois bois recebeu da patrocindora Coca- Cola R$ 787,5 mil para recontar a lenda, paixão de Parintins e de turistas brasileiros e estrangeiros. Serviço R$ 3.450 - Oito dias de hospedagem, passagem aérea, traslados e ingressos para as três noites de festival. Saída no dia 26 de junho. Na Tour Real, tel. 2546-6203 e na Tornos, tel. 2494-6960. R$ 3.947 - Oito dias de hospedagem, passagem aérea, traslados e ingressos para as três noites do festival. Saída no dia 26 de junho. Na Shangri-lá, tel. 2507-0705. Fabíola Bemfeito
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