O fotógrafo argentino Hernán Paz realizou um breve ensaio fotográfico na comunidade Bameno, do povo indígena Huaorani. Confira abaixo o ensaio e relato do fotógrafo:
HUAORANIS DO CONONACO
Os huaoranis são uma das populações indígenas que vivem de maneira tradicional na Amazônia Equatoriana. São um povo alegre, que vive perfeitamente integrado com seu ambiente, muito quente e úmido.
Também são um povo guerreiro, que tem conflitos e matanças entre as diferentes etnias por vinganças.
Muitas de suas práticas poderiam ser questionadas, mas o certo é que os huaorani souberam manter intacto esse imenso jardim onde vivem, essa selva mágica, com todos os seus animais, árvores e rios, durante muitos séculos.
Seu território ia, originalmente, desde a região do Napo até o sul de Curaray.
Nos dias de hoje, apenas um terço deste território foi reconhecido legalmente.
Mas nem sequer esse território reconhecido é respeitado.

Os petroleiros, madeireiros e outros invasores não pensam duas vezes para fazer desaparecer em poucas décadas toda a Amazônia, o pulmão mais importante do planeta, cenário onde vivem os únicos que não sofreram nenhum tipo de adaptação à vida ocidental: as populações ocultas.

Muitas companhias de petróleo das mais diferentes nacionalidades se estabeleceram no território huaorani, devastando a selva e estabelecendo polêmicas relações com os seus habitantes.

O maior impacto foi causado pela Maxus (EUA), que construiu uma estrada - a chamada Via Auca - que divide o território em dois, uma rota de óleo e desculturalização que vai crescendo permanentemente de norte a sul.

Nos dias atuais, a Petrobrás se instala no Parque Nacional Yasuní, habitat de várias etnias huaoranis - entre eles os baihuaris - e um dos três parques com maior biodiversidade do mundo.

Existem diferentes etnias huaorani, com diferentes graus de contato (ou nenhum) com o homem branco ou o estrangeiro: babeiris, guequetadis, piyemoidis, huepeiris, baihuaris, tagaeris, taromenanis, etc; são ou foram algumas delas.
Das etnias conhecidas, os que mais mantém sua cultura e tradições são os baihuaris.
Em região remota, descendo pelo Tihuino, o Mencaro e o Cononaco, encontra-se a comunidade de Bameno, a mais importante da etnia baihuari. Nesta mesma área, podemos encontrar Omeede.
Em Bameno, onde vivem cerca de 65 índios, a metade deles crianças, há muito respeito pelos anciões: os guerreiros Kamperi e Ahua são dois símbolos para a comunidade, e as anciãs Mínimo, Bebanka ou Mimá são referências para toda a etnia. Penti é o líder político, que defende os interesses do grupo contra as ameaças externas. Kominda é um dos melhores caçadores de macacos, alimento principal da tribo nos quentes meses de novembro e dezembro.
"Omeede" ("Nossa selva" em huao tiriro), é um espaço alternativo de turismo ecológico, administrado pelas próprias pessoas da comunidade com apoio organizacional da ONHAE (Organization of the Huaorani Nation of the Ecuadorian Amazon).
Omeede está sendo organizado próximo a comunidade de Bameno. Já tem uma maloca - abrigo tradicional para várias famílias - e vários serviços para receber turistas.
Por ambígua que pareça, esta opção para gerar fontes de lucro próprias é talvez uma das poucas alternativas que tenha sobrado para esta comunidade, para que possa defender seu território e sua cultura ancestral face aos avanços dos interesses econômicos das grandes empresas do exterior.