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Projeto da Pró-Natura avança no noroeste do Mato Grosso - 04/25/2002

Locality: São Paulo - SP
Source: Gazeta Mercantil
Link: http://www.investnews.net/


A ONG Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estudos Ambientais (Pró-Natura) apresentou ontem o relatório do primeiro ano de atividade do Projeto GEF, que pretende, ao longo de sete anos, estabelecer mecanismos de gestão do uso do solo de forma sustentável na região Noroeste de Mato Grosso. O projeto é desenvolvido desde maio de 2001 pelo Pró-Natura em parceria com a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fema) e prevê investimentos de US$ 6,7 milhões do Global Environment Facility (GEF), fundo criado pelas Nações Unidas para financiar projetos dos países signatários das Convenções Globais do Meio Ambiente.

`Já conseguimos mais que duplicar a verba investida pelo GEF, atraindo outros parceiros para financiamento de projetos complementares, como os Estudos de Energia Renovável", afirma o diretor executivo do Pró-Natura, Peter May. O projeto abrange sete municípios - Juruena, Cotriguaçu, Castanheira, Aripuanã, Colniza, Juína e Rondolândia - todos localizados a pelo menos 800 quilômetros ao norte de Cuiabá e que têm em comum o desenvolvimento de atividades econômicas impactantes ao ambiente, como devastação e queimada de floresta para conversão em pastagem e extração de madeira, quase sempre de forma predatória. Juntos, eles somam uma área de 105.187 km2 (quase o tamanho do Panamá) e representam cerca de 2% da Amazônia brasileira.

Até março de 2002, o projeto demandou US$ 580 mil e incluiu consultorias, diagnósticos e workshops participativos que envolveram diretamente agricultores familiares, assentados, madeireiros, agropecuaristas, poder público municipal e entidade civis, considerados público alvo do projeto. Entre as ações desenvolvidas, está a difusão de técnicas de manejo ecológico de pasto, sem uso de fogo, com redução de agrotóxicos e de exploração rotativa. A ONG tem quatro propriedades particulares planejadas nesse sistema, das quais duas já estão implantadas e servem como unidades demonstrativas.

A técnica de rotatividade foi trazida da França e consiste na divisão do pasto em áreas menores. Os animais utilizam por um período uma determinada área que é limitada por cercas elétricas (abastecidas por baterias), enquanto as outras se recuperam. `O custo desse sistema é menor do que o convencional por conta da utilização de menos materiais, como arames farpados e madeira", explica Peter May. Para este ano, a meta é implantar a Pastagem Ecológica pelo menos nas duas unidades já planejadas, que terão o serviço técnico bancado pela ONG.

Outro objetivo do projeto GEF é criar alternativas de renda sustentáveis para os assentados rurais. Neste primeiro ano, o Pró-Natura ajudou a fundar a Agência Regional de Comercialização (Arco) do Noroeste de Mato Grosso, que tem como objetivo atrair mercado consumidor dos produtos vindos de agricultores familiares e assentados da Reforma Agrária, que somam cerca de 10 mil somente na região Noroeste do estado.

Produto

A marca `produto da Amazônia" funcionará como forte apelo comercial no exterior para a inserção dos produtos feitos na região, explica Peter May. `O Noroeste já produz café, que deve ser o carro-chefe do programa, e pretendemos incluir também o palmito e outros produtos", acrescenta.

No País já são 37 Arcos e a do Noroeste é a segunda em Mato Grosso. Essas agências são administradas pela Secretaria Nacional de Reforma Agrária, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, e tem parcerias com outras instituições, como o Pró-Natura, que também ajudou na criação de uma agência em Paris, para intermediar as relações comerciais na Europa. `O mercado europeu tem interesse na marca 'Amazônia' e vamos aliar a isso a certificação orgânica e a própria condição de produto de pequeno produtor para agregar valor", pondera Peter May.

Outra forma de renda para a região será criada, em breve, com a conclusão do estudo de Viabilidade Econômica e Técnica Sobre a Implementação do seqüestro de carbono, que deve ocorrer em outubro deste ano. `Vamos desenvolver a tecnologia, comprovar a eficiência do seqüestro de carbono na região e vender ao mercado internacional o projeto, que será executado pelos agricultores do Noroeste", detalha.

Apoio técnico é levado a madeireiras

Para este ano, o projeto GEF prevê a continuidade do apoio técnico ao manejo sustentável da área de 25 mil hectares pertencente a madeireira Rohden Indústria Lignea, de Juruena. A parceira com a madeireira iniciou em 1996 e ainda neste ano, o empreendimento deve obter a certificação do seu sistema de manejo florestal pelo Conselho Mundial de Florestas (FSC). `Nossa intenção é estender esse apoio a pelo menos uma madeireira em cada um dos municípios integrantes do projeto", informa Peter May.

As ações para os próximos 12 meses também inclui a implantação, junto a madeireiras, de sistemas de aproveitamento de resíduos de madeira para a geração de energia elétrica. `Vamos aproveitar algumas experiências já desenvolvidas na região e aprimorá-las com a tecnologia que dispomos", antecipa. Nesta primeira fase, o projeto reforçou sua atuação nos municípios de Juruena, Cotriguaçu e Castanheira. Neste ano, Colniza também será atendida, principalmente a área da reserva extrativista de Guariba e Roosevelt.

Fabiana Batista
de Cuiabá


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