Em 1989, os povos indígenas
protestaram contra o projeto de aproveitamento hidrelétrico
do Xingu, que inundaria
cerca de 1,7 milhão de hectares, com a construção de
cinco barragens em trechos do rio. A forte oposição de
índios, ambientalistas e movimentos sociais, fez com
que o projeto fosse deixado de lado. Correu o mundo a
foto da índia Kayapó Tuíra que encostou a lâmina de seu
facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José
Antônio Muniz Lopes, num gesto de advertência. Lopes
continuou ocupando o cargo durante o governo de Fernando
Henrique Cardoso e hoje é presidente da Eletrobrás.
Em
1999, o projeto foi retomado em menor proporção, com
a previsão de uma só barragem na chamada Volta Grande
do Xingu, em Altamira. Apesar disso, os impactos socioambientais
e inúmeras irregularidades nos estudos e no licenciamento
da obra levaram o Ministério Público Federal a questioná-la
judicialmente repetidas vezes.
Em 15 de abril último,
a Justiça Federal acatou o pedido de liminar do Ministério
Público Federal que suspendeu a autorização dada a consórcio
formado por três grandes construtoras para finalizar
o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) de Belo Monte.
Dúvidas
Vários pesquisadores e instituições vêm questionando a viabilidade
técnica e econômica da usina, que teria potencial para
gerar até 11,1 mil megawatts, mas que, durante a maior
parte do ano, seria capaz de gerar no máximo 4,6 mil
megawatts. Também é preocupante a construção de pequenas
centrais hidrelétricas previstas para o Xingu, cujas
licenças dependem apenas do governo estadual. O caso
mais emblemático é o da PCH do Culuene já construída
e nove outras previstas, que se construídas deverão
afetar a vida de 18 povos indígenas da região. O movimento
Xingu Vivo para Sempre acredita que as hidrelétricas
na Bacia do Rio Xingu podem causar a remoção forçada
de comunidades, prejuízos para a pesca e o transporte
fluvial, emissão de gases de efeito-estufa pelos reservatórios
e o aumento de doenças como malária e febre amarela.
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